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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Poesia

Sabor de ti
E salgado é o mar
Tal como o teu corpo
Revolto em tempestade
Como é a tua persistência
Na tua forma única de amar
Como círculos na água
És tu neste vaivém delicioso
De corpo quente junto ao meu
E de beijos doces que perduram
Perpetuando a tua fome de mim
E lindo é o céu
Quando me olhas nos olhos
E me pedes mais e mais
E mereces ser amada assim
Como é bom te sentir
E vibrar ao som de uma só nota
Ao formarmos esta orquestra
De corpos entrelaçados pelo desejo e desta louca paixão
E ao atingir o clímax
O êxtase a dois
Tudo se torna claro em minha mente e corpo
Que os dois
Fomos feitos um para o outro
Sponxor

Encontrado por aí na net

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
Somente um bicho sadio
 Embriagado na alegria
da tua vinha sem vinho

 Eugénio de ANDRADE

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Em tempos de mudança

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades. 

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria, 
E em mim converte em choro o doce canto. 

E afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto, 
Que não se muda já como soía. 

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Mini momento poético

AS CIDADES

Estavam no poente luzidias,
Acesas e magnéticas chamando
Sob o infinito céu das tardes frias. 
(Dia do Mar, de Sophia M. B. Andersen)


Hoje deu-me para aqui. Para todos os amigos blogosféricos que vivem em cidades. E para os que vivem noutros lugares também :D

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Poesia e Música!




Tenho o vício de ler poesia em voz alta com música de fundo. Hoje utilizei esta música, e li o poema abaixo:


Em minha frente caminhas
Pesado do teu desejo,
Pesado da tua graça,
E as tuas mãos tocam as coisas que hão-de vir
E a sua sombra cobre a tua face.

E em tua frente estou suplicante e exausta
Pois a tua vinda apaga
Os meus frágeis gestos de alegria.
E em tua frente estou suplicante e exausta
Pois a tua vinda quebra
A minha vinda.

Às vezes todo o dia o teu sorriso
Está presente em cada coisa:
No fundo dos espelhos e nos vidros,
No vermelho das rosas e nos astros.
E através dessa presença caminho em delírio
Para o grande cintilar dos teus desastres
Onde me quero destruir.
(Sophia de Mello Breyner Andersen)

Senti-me arrepiar!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

40 ANOS DO 25 DE ABRIL - II


SALGUEIRO MAIA
Ficaste na pureza inicial 
do gesto que liberta e se desprende.
Havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende.

Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem sua regra.
Conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra.

Por isso ficarás como quem vem
dar outro rosto ao rosto da cidade.
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
trazendo a espada e a flor da liberdade.

Porque se este dia só pudesse ter um herói, seria sem sombra de dúvida, Fernando Salgueiro Maia, Capitão da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. O homem que arriscou tudo e não pediu nada em troca. O homem que quando mais precisou do estado que ajudou a construir, lhe viraram as costas. 
Que a sua memória permaneça sempre viva entre nós! 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dia Mundial da Poesia II


Porque parece que a Primavera meteu férias assim que chegou... LOL

Dia Mundial da Poesia


Nocturno

Espírito que passas, quando o vento 
Adormece no mar e surge a Lua, 
Filho esquivo da noite que flutua, 
Tu só entendes bem o meu tormento... 

Como um canto longínquo - triste e lento- 
Que voga e subtilmente se insinua, 
Sobre o meu coração que tumultua, 
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento... 

A ti confio o sonho em que me leva 
Um instinto de luz, rompendo a treva, 
Buscando, entre visões, o eterno Bem. 

E tu entendes o meu mal sem nome, 
A febre de Ideal, que me consome, 
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém! 

AQ
Em homenagem, por ter saído no meu exame nacional

sexta-feira, 7 de março de 2014

Sobre música e poesia...

Acho que já disse aqui que gosto de ler poesia em voz alta. Mas não gosto de o fazer em silêncio. Este grupo musical que conheci através do blog do Namorado PS tem-se revelado um excelente acompanhamento dos meus momentos poéticos. :D

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Sophia


Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes, 
todo o fulgor das tardes luminosas, 
o vento bailador das Primaveras
A doçura amarga dos poentes
E a exaltação de todas as esperas.


Sophia vai para o Panteão. Notícia aqui.



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Porque hoje me apetece poesia:-)


Ao entardecer, debruçado pela janela, 
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos .
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele!  Ele era um camponês 
Que andava preso em liberdade pela cidade. 

Mas o modo como olhava para as casas, 

E o modo como reparava nas ruas, 

E a maneira como dava pelas cousas, 

É o de quem olha para árvores, 
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando 

E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza 

Que ele nunca disse bem que tinha, 

Mas andava na cidade como quem anda no campo 
E triste como esmagar flores em livros 
E pôr plantas em jarros...

Alberto Caeiro