Quanto ao resultado da CDU em si (força a que pertenço e que defendo), foi francamente positivo, ainda que muita gente queria dizer o contrário (e se isso se admite de comentadores de outros partidos, não se admite que a comunicação social entre nessa histeria também). Falo, entre outros, do Expresso, que teve como título de notícia nada imparcial "CDU em Negação". Tal notícia teve o seguinte comentário do camarada (e deputado reeleito) Bruno Dias "Há dias fiquei a saber que não havia campanha da CDU sem Jerónimo. Esta noite descubro que a CDU está em negação. De facto, quem os ouvisse até pensaria que a CDU cresceu em número de votos, de deputados e em percentagem. Obrigado, Expresso. O que seria da verdade sem ti?"
E a grande verdade é esta: a CDU cresceu em número de votos absolutos, em termos de percentagem e conquistou mais um mandato no parlamento, no círculo do Porto - Viva o Puerto Carago! Cada vez gosto mais do Porto!
Não tivemos, ao contrário do Bloco, direito a que as nossas melhores intervenções e saídas aparecessem nos noticiários da hora de almoço e jantar. Não tivemos as nossas intervenções na comissão de inquérito do BES em destaque nos jornais. Eles tiveram, e conseguiram canalizar os votos dos descontentes para eles. Não esperava um crescimento tão grande do Bloco, mas quando o vi, não fiquei espantado. Se há coisa que eles tiveram, foi tempo de antena, e mal seria se não o aproveitassem.
Contudo, e apesar de ser raro fazer futurologia, o resultado do Bloco nas próximas eleições pode alterar-se substancialmente. O da CDU duvido. Quando uma pessoa que nunca votou CDU vota pela primeira vez, fa-lo de uma forma incrivelmente consciente. E porque o preconceito contra a CDU é muito, e as mentiras criadas em torno dela também, se uma pessoa depois de ouvir tudo isso sobre a CDU, mesmo assim decide votar, dificilmente voltará a votar noutro lado (óbvio que há exceções, e também há quem use a CDU como voto de protesto, ainda que de forma residual). A comprovar isto têm o facto de desde 2002 a CDU ter vindo a aumentar gradualmente o seu número de votos, sem sequer dar sinal de baixar.
Assim, numas próximas eleições, os votos de protesto que desta feita foram para o Bloco, aliados à extensa cobertura mediática que teve, irão para outro lado (talvez alguns para a CDU, mas muito poucos, os da CDU irão conquistar-se na rua, a conversar com as pessoas).
Quanto aos resultados finais, esta é a prova de fogo para o PS. Quando os partidos à sua esquerda começarem a apresentar projetos de lei para o aumento do salário mínimo, paragem da privatização da TAP, da água, aumento do IRC e descida do IRS e de sobretaxas, a ver vamos como é que este se vai desenvencilhar.
Nota explicativa do meu título: ler é uma atividade que nos ajuda a pensar, ao contrário de ver TV. Assim, penso que o resultado destas eleições são o reflexo de um povo que não está habituado a pensar.






















