Estive hoje a falar com um colega de curso no facebook.
Falámos de férias, principalmente (sempre ouvi dizer que as pessoas falam do
que têm falta). Contudo, desde que conheci este rapaz que senti o meu radar
apitar*, ainda numa altura que não aceitava que gostava de rapazes. E pronto,
isto tudo para dizer que apesar de não o ver há uns cinco anos, continuo a
achar o mesmo: ele é gay. Nada de namoradas, nada de gajas nas fotos. Sempre
agarrado nas fotos a um rapaz, ainda que sem grandes coisas. Poderão ser apenas
amigos.
E isto tudo não para cortar na vida do rapaz. Ele que seja o
que é, e sobretudo quero que seja feliz. Era um bom colega. (digo e reafirmo,
colega! Não nos podemos considerar amigos). Contudo, gostava de lhe dizer que
sou gay. Ele talvez desconfie de mim, como eu desconfio dele (eu estou mais que
desconfiado, mas pronto). Já lhe tentei pisar terreno, mas ele nada. Fechou-se.
Ainda na faculdade tive uma fase um bocado homofóbica (fase da negação). Talvez
seja por isso mesmo que ele se fecha. E tem a sua razão. Eu talvez fizesse o
mesmo. Mas acho que nos poderíamos tornar amigos, se ambos descobríssemos que o
outro era gay. Apenas isso.
* Poderão pensar que, para quem tem o radar avariado, falo
frequentemente de quando ele apita. Contudo, acreditem que me passa muita coisa
ao lado. Praticamente, falo aqui sempre que ele apita, o que no presente, não é
recorrente.

