Temos sido
noticiados pelo Expresso alguns dos mais interessantes episódios de uma
parcialidade desmesurada. E o pior nem vem dos cronistas (esses sim, devem ter
opinião, as noticias devem relatar factos, e não emitir opiniões). Há uma outra
grande forma, ainda que sem emitir opiniões, de enveredar por este jornalismo
rasca: omitir notícias e elevar outras, com menos interesse. Ah, e pode também
mentir-se. Já vou a cada uma do expresso:
- não posso deixar
de começar por me referir à Festa do Avante, onde, ao que parece, dois
indivíduos afirmam que estavam a dar um beijo e a direção da festa diz que eles
estavam em pleno ato de sexo oral. Não sei como foi, porque estava na festa,
mas não vi este episódio (nem dei por ele). Não que desculpe a violência barata
(ou qualquer outro tipo de violência), mas não me parece que a segurança da
festa se fosse meter com quem tivesse a dar umas beijocas. E, sinceramente,
tenho mais motivos para acreditar na direção da festa do que no Expresso.
Independentemente disso, o senhor da ILGA que disse que não ia votar no PCP e
apelava a que nenhum homossexual o fizesse nas próximas eleições (ou coisa
parecida que ele tenha dito), devia era fechar a matraca antes de proferir tal
barbaridade. Não pode fazer toda a CDU pelo PCP e não pode fazer todo o PCP
pela atitude dos seguranças da festa. Quando o PCP fez uma coisa desde sempre:
tratou os homossexuais como qualquer outra pessoa, sem os elevar a pedestais de
marginalizados nem se aproveitar dos mesmos para caçar votos. Basta que nos
lembremos de Ary dos Santos, que além de ser homossexual, era também ligado ao
PCP, ainda antes do 25 de abril, quando o regime e os homossexuais não se
cosiam da melhor forma. Voltando à situação da festa, o O PCP fez o que tem de
ser feito nestas ocasiões: entregou o caso às autoridades. A violência é crime,
mas o atentado ao pudor também é. As autoridades que decidam que castigos devem
ser aplicados a quem.
- O expresso
noticiou que só havia campanha da CDU quando Jerónimo estava presente. Bem, eu
ando nisto há uns anos (seis, se não estou em erro). De forma mais ou menos
participativa, já participei em vários atos eleitorais. E posso dizer que só
tive numa ação com o Jerónimo. O meu concelho não é visitado pelo Jerónimo há
seis anos, ou talvez mais. E sempre houve campanha. E como acontece aqui,
acontece em todo o lado. Lá por o Expresso só acompanhar o Jerónimo (quando
acompanha), não quer dizer que não existam mais campanhas. Elas existem, e eles
até recebem os comunicados de imprensa. Só que não querem estar presentes. Se
querem servir os ideias da direita, tudo bem. Mas pelo menos não sejam
mentirosos! (estão a ver porque é que eu digo que acredito mais na direção da
festa do que no Expresso?)
- Ontem foi o
arranque oficial da campanha eleitoral, e a CDU fez, como acontece de vez em
quando, o arranque da mesma no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. À saída houve
um cruzamento com uns sujeitos que vinham da manifestação contra o apoio aos
refugiados (que parece que, sendo nacional, contou com umas 150 pessoas…), e
parece que os ânimos contra algumas das pessoas que vinham do comício do
coliseu se exaltaram, e houve quem tivesse levado uma valente carga de porrada
(nomeadamente um velhote que vinha com uma bandeira da CDU). E a notícia do
expresso dizia que… pois, não há notícia do Expresso.