terça-feira, 13 de maio de 2014

Livros & Leya


Recentemente li esta notícia, em que se diz que as obras de Saramago vão deixar de ser publicadas pela Leya-Caminho. É referido que se Saramago fosse vivo, não deixaria de publicar os seus livros na Caminho. Contudo, pergunto-me se a Caminho que Saramago conheceu é a mesma de hoje em dia...

Não sou um expert no assunto. Longe disso. Contudo, enquanto consumidor regular de livros, esta junção de várias editoras no Grupo Leya trouxe-me mais dissabores que outra coisa. Dando apenas um exemplo, os livros de Agatha Christie, que creio que até já nem pagam direitos de autor, aumentaram 25% quando passaram para a Leya. É o principal exemplo, contudo existiram outros. Não sei se a ASA teria capacidade ou não para continuar sozinha, contudo esta junção das editoras em dois grandes monopólios (O Leya e o da Porto Editora) inflacionou e inflaciona muito o preço dos livros. 

Acho que todas as grandes editoras portuguesas estão afetas a um destes grupos. Continuam a existir pequenas editoras que, contudo, não têm a expressão destas, talvez com exceção da Esfera dos Livros, que não está ligada a nenhum dos grupos, mas cujos livros são igualmente caros. 

Já alguns autores "bateram" com a porta. As obras de Saramago foram o segundo grande exemplo que conheço. O primeiro foi Miguel Sousa Tavares, que começou a editar as suas obras no "clube do autor". 

Para além disto, devo dizer que as editoras portuguesas, na minha opinião, não têm grande primor na elaboração dos livros físicos. Tipo, tenho a coleção do Harry Potter  em inglês, e existia a possibilidade de capa dura ou capa mole. Eu sempre preferi a capa dura, porque acho mais bonito, e sobretudo em livros que sei que gosto, não me importo de pagar um pouco mais. Na verdade, os que não comprei em 2.ª mão, custaram-me cerca de 15€. 

E poderiamos pensar, "ah, mas isso é uma estratégia para as pessoas aderirem ao E-Book". Pois, a verdade é que eu, que não aprecio muito o género, não me sinto impelido a comprar um e-book, porque ele custa quase tanto como o livro físico.... Na Wook, um livro da Agatha custa 11.25€, e o ebook custa 8.99€. Diferença de pouco mais de 2€. Vale a pena? Eu acho que não... 

20 comentários:

  1. Também prefiro livros em papel! Ler no pc não é a mesma coisa que ter o livro na mão e sentir o cheiro a cola. E a diferença de preço também não compensa, efectivamente!

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  2. Também prefiro livros de "capa dura" (em Direito, os tratados são quase sempre assim) e, tal como tu, dispenso os ebooks. Prefiro o suporte físico.

    A obra de Saramago, pela Caminho, era histórica. É pena.

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    1. Sim, é pena. Contudo, esta já não é a mesma Caminho de Saramago. Sempre tive a ideia que a Caminho era uma editora que tinha o objetivo do lucro também, claro, mas que pretendida também prestar um serviço público. Hoje, neste grupo, vejo que isso se perdeu...

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  3. há coisas que a tecnologia não substitui, os livros são uma delas ;)

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  4. Os direitos de autor pagam-se até 70 anos após a morte do autor. Ora, se não me engano, a Agatha Christie faleceu em meados dos anos 70... Há pelo menos mais uns 30 anos a pagar direitos sobre a sua obra (e sobre a tradução).

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    1. Não sabia que eram 70, Shoes. Pensei que era menos, aí entre os 25 a 30. Mas obrigado pelo esclarecimento. :)

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    2. Eram 50 anos antes... passaram a 70 (creio que uniformização europeia).

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    3. Ok! Estou a ver que es um homem informado:-D

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    4. Na lei portuguesa o direito de autor, após a morte do autor, passou de 50 para 70 anos há relativamente pouco tempo, julgo. Houve um caso muito falados há uns anos que foi da "famosa" Tragédia da Rua da Flores, do Eça, que só foi tornada pública - porque era apenas um ensaio para os Maias - dando origem à série televisiva, quando passou esse periodo.

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    5. Outro bem informado :P
      contudo, isso não invalida o meu desalento: quando se juntam, em vez de tentarem praticar preços mais competitivos, colam "a cima", e aumentam o preço dos livros...

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    6. Nisso concordo inteiramente, mas não será o mercado a funcionar?

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    7. Está a monopolizar-se. É mau...

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  5. eu cada vez mais leio ebooks, ainda agora estive a procurar 'Os Memoráveis', da Lídia Jorge. o de papel custa 15,21, o ebook 9,99 €. pois irei para o ebook que já não tenho estante para tanto livro...
    claro que também gosto de ler o livro físico, mas cinjo-me agora aqueles que tenho que ter e estar sempre a reler, os meus livros preferidos, que os tenho.

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    1. És uma mulher "prá-frentex", Margarida :)

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  6. Gosto de ser "velho" nesse ponto. Prefiro o livro em papel. Sou um purista.

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  7. Quando o Paes do Amaral se meteu nos livros, esperava de facto mais concorrência e um mercado mais dinâmico a funcionar. Porém, foi exatamente o oposto que aconteceu, os preços aumentaram, o investimento fica-se pelos blockbusters, não há espaço para novos autores fora do mainstream...
    Pensei que quando o Paulo Teixeira Pinto se lançou na Babel, pensei que a coisa ia abanar... mas não senti nada, lol.

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    1. É uma tristeza este país! Nem nos livros...

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