terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Porque hoje me apetece poesia:-)


Ao entardecer, debruçado pela janela, 
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos .
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele!  Ele era um camponês 
Que andava preso em liberdade pela cidade. 

Mas o modo como olhava para as casas, 

E o modo como reparava nas ruas, 

E a maneira como dava pelas cousas, 

É o de quem olha para árvores, 
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando 

E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza 

Que ele nunca disse bem que tinha, 

Mas andava na cidade como quem anda no campo 
E triste como esmagar flores em livros 
E pôr plantas em jarros...

Alberto Caeiro

6 comentários:

  1. Gosto tanto...sou mais Ricardo Reis, mas é o Caeiro é que é o verdadeiro mestre! :-) se me fosse possibilitado conhecer duas pessoas, pediria Fernando Pessoa e salvador Dalí...faço sentido? :-)

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    1. Corrias era o sério risco de marcar um encontro com Pessoa e aparecer te Ricardo Reis... lol

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  2. Eu sou grande fã de Alberto Caeiro, e o meu rapaz gosta de Cesário Verde, curiosamente. Quando a palavra cobre vem à baila, costuma entoar um excerto de "Num bairro moderno":

    Do patamar responde-lhe um criado: "Se te convém, despacha; não converses. Eu não dou mais". E muito descansado, Atira um cobre ignóbil, oxidado, Que vem bater nas faces duns alperces.

    No final, acrescenta sempre: o cobre oxidado representa a sociedade corrupta, lol. Vê-se mesmo que é comuna!

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  3. É é um bom rapaz. Ser comuna é uma grande qualidade... :D

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